A amamentação no Brasil varia de acordo com os estados e com a escolaridade do chefe do domicílio em que a criança reside?

São Paulo é o estado com menor percentual de crianças amamentadas (44,3%), enquanto o Amapá é o estado com maior percentual (69,1%)

amamentação

Com base em dados da última Pesquisa Nacional de Saúde, este post mostra as disparidades da amamentação no país de acordo com o estado (Unidade da Federação) e com a escolaridade do chefe do domicílio em que a criança reside. Evidências mostram que adultos que foram amamentados apresentam QI, escolaridade e salário maiores (ver aqui). Por isso, a amamentação pode ser uma importante aliada para desenvolver o potencial de capital humano de uma economia.

A Figura 1 mostra o percentual de crianças de até 2 anos de idade que tomam leite materno em cada UF (Unidade da Federação). Amapá é o estado com maior percentual de crianças amamentadas (69,1%), enquanto São Paulo apresenta o menor percentual (44,3%). De uma forma geral, metade dos domicílios com crianças pequenas no Brasil faz uso do leite materno para alimentar suas crianças (52,2%). Essa estatística coloca o Brasil em posição mediana no ranking mundial, atrás de outros países sul-americanos como Chile, Uruguai, Peru, Bolívia e Colômbia.¹

A Figura 2 apresenta o mesmo percentual de acordo com a escolaridade do chefe do domicílio em que a criança reside. Não há uma relação clara entre os dois indicadores, ou seja, estar em um domicílio em que o chefe é mais escolarizado não necessariamente aumenta a chance de a criança ser amamentada.

Destaca-se, entretanto, o caso do Paraná, em que há uma diferença de 28 pontos percentuais de acordo com a escolaridade do chefe do domicílio. Neste caso, crianças em domicílios com chefes menos escolarizados têm maior chance de serem amamentadas.

A amamentação é reconhecida por trazer uma série de benefícios para a saúde dos bebês. Além de fortalecer o sistema imunológico, oferece nutrientes essenciais de que os bebês precisam para crescer e se desenvolver em diferentes fases da vida. Ser amamentado não traz apenas benefícios no curto prazo – há também os benefícios de longo prazo.

Será que estamos dando às nossas crianças a oportunidade de desenvolverem todo seu potencial? O quanto poderíamos melhorar o capital humano brasileiro apenas incentivando mais a amamentação? Seria possível reduzir disparidades regionais com políticas de amamentação? São perguntas relevantes cuja ação de resposta pode ser barata e eficiente.

¹ Ranking da UNICEF baseado do aleitamento exclusivo até os 6 meses de idade. https://www.indexmundi.com/facts/indicators/SH.STA.BFED.ZS/rankings

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