Como está o mercado de trabalho para quem tem curso superior?

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Por Guilherme Hirata, pesquisador do IDados

Como está o mercado de trabalho para quem tem curso superior completo? A figura ao final apresenta a trajetória entre 2012 e 2017 de duas variáveis relevantes para esses trabalhadores.

A linha com marcadores mostra a porcentagem de ocupações de nível superior completo ocupadas por trabalhadores formados. Ela mostra que a porcentagem aumentou 10 pontos percentuais no período analisado e que a trajetória de crescimento se manteve mesmo durante a crise. Ainda assim, em 2017, um quarto das ocupações teoricamente destinadas a pessoas com ensino superior são ocupadas por pessoas sem essa formação.

Já a linha contínua mostra a porcentagem de trabalhadores com ensino superior completo inseridos em ocupações de nível superior. Desde 2014, a porcentagem vem caindo. Em 2017, de cada 100 trabalhadores formados, mais de um terço não estavam inseridos em ocupações condizentes com sua educação formal.

O quadro parece contraditório, mas não é. Por um lado, há uma constante substituição relativa de trabalhadores não formados por trabalhadores com ensino superior. Isso sugere que o mercado de trabalho está ficando mais exigente, independentemente da crise.

Por outro lado, a baixa qualidade de parte considerável dos cursos superiores, incapazes de formar trabalhadores qualificados, e a expansão de vagas no ensino superior nos últimos anos resultam em uma grande quantidade de trabalhadores formados em áreas como Administração e Direito que acabam não sendo absorvidos como administradores e advogados pelo mercado de trabalho. A oferta além da demanda também pode fazer com que economistas migrem para o Uber, por exemplo.

Dizem que há males que vêm para o bem, e que um exemplo disso é a atual crise econômica pela qual o país passa. Esta seria uma oportunidade para aumentar a eficiência da economia, melhorando a alocação de recursos humanos. Se a concorrência pelos postos de trabalho contribuir para elevar a produtividade e o esforço, o Brasil poderá sair da crise mais eficiente que quando entrou.

Gráfico – “Porcentagem de trabalhadores formados inseridos em ocupações de nível superior e Porcentagem de ocupações de nível superior exercidas por trabalhadores formados”

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Fonte: PNAD-Contínua. Elaboração IDados. Nota: trabalhadores com 25 anos ou mais de idade.

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