Desemprego deve crescer no terceiro trimestre em decorrência da maior busca por trabalho

É possível que ocorra um incremento significativo do fluxo de pessoas inativas para a procura de emprego formal e para o trabalho por conta própria e informal.

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emprego formal

Os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNADC) confirmam a situação de piora do mercado de trabalho ocasionada pela crise da pandemia de covid-19. No dado de maio, em particular, a taxa de desemprego alcançou o patamar de 12,9%, uma alta de 0,3 pontos percentuais em relação ao trimestre encerrado em abril (12,6%).

Algumas surpresas, contudo, vêm sendo verificadas. Os resultados da taxa de desemprego divulgados pela PNADC entre março e maio cresceram menos do que era esperado diante da expressiva queda de atividade econômica observada no mesmo período. A verdade é que o desemprego não tem crescido tanto porque, como mencionado em post anterior, vem sendo atenuado por quedas significativas da taxa de participação e da elevada saída dos trabalhadores demitidos para a inatividade.

Entretanto, este fluxo de saída para a inatividade tenderá a se esgotar a partir de junho. Segundo o Boletim Focus, espera-se para o 2º e 3º trimestre um cenário de recuperação do PIB, puxado pelo avanço das medidas de flexibilização do isolamento social. Caso este cenário se confirme, é possível que ocorra um incremento significativo do fluxo de pessoas inativas para a procura de emprego formal e para o trabalho por conta própria e informal. Isso pode levar a uma intensificação no fluxo de entrada de trabalhadores inativos no mercado de trabalho nos meses iniciais de flexibilização.

Com isso, projetamos um aumento forte no desemprego a partir de junho, seguido de um ritmo de queda, lenta e gradual, até o final do ano. Mais precisamente, o desemprego deve subir até 13,9% no mês de junho e tende a continuar subindo até atingir o valor de 14,5% em setembro (Gráfico 1). Como podemos verificar no Gráfico, o desemprego só deve voltar a cair no último trimestre de 2020 e alcançar o valor de 13,4%, em dezembro.

É importante ressaltar que as projeções de mercado de trabalho dependem da evolução da atividade esperada para o ano de 2020, que se encontra sob elevada incerteza. Como observado na Tabela 1, considerando o cenário de queda de PIB de -6,4% (cenário mediano de analistas do Boletim Focus em 23/06/2020), o desemprego médio deve ficar em 13,5% em 2020. Para os cenários otimista (estimativa máxima de -1,2%) e pessimista (estimativa mínima de -14,0%), os níveis médios anuais de desemprego ficam, respectivamente, em 12,1% e 15,9%.

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