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Diferenças de desempenho por gênero entre os melhores do Enem

Em Redação e Linguagens, mulheres são maioria entre os melhores do Enem. Já nas outras disciplinas, homens são maioria entre os melhores. Maior desvantagem para as mulheres ocorre em Matemática

É lugar comum dizer que homens são melhores em Matemática e mulheres em Linguagem. Em um post anterior, mostramos que alunos apresentam melhor desempenho do que alunas em todas as etapas de ensino. Este post analisa a presença de homens e mulheres entre os 5% melhores no Enem.

A figura abaixo foi elaborada a partir dos microdados do Enem de 2009 e 2019. Em 2009, houve 2,2 milhões de candidatos que disputavam vagas nas universidades e, em 2019, 3,1 milhões. Com isso, entre os 5% melhores, há cerca de 110 mil candidatos em 2009 e 150 mil em 2019. A figura mostra, em cada ano, a porcentagem de mulheres entre os melhores em cada disciplina e em Redação.

Observa-se que, em Redação e Linguagens, as mulheres são maioria entre os melhores. Em Redação, por exemplo, cerca de dois terços são mulheres. Já em Linguagens, a porcentagem se aproxima de 60% em cada ano.

Por outro lado, nas outras disciplinas, homens são maioria entre os melhores. Em Ciências Humanas, por exemplo, 44,5% dos melhores candidatos eram mulheres em 2009 e 47,1% em 2019. Vale destacar que em Matemática ocorre a maior desvantagem para as mulheres: elas representam menos de 40% das maiores notas nessa disciplina, ainda que a participação tenha crescido no período.

Mulheres são maioria entre os inscritos no Enem. Nos dois anos analisados, cerca de 60% são mulheres. Apesar disso, a participação delas entre os melhores está abaixo de 60% em todas as disciplinas, exceto Redação.

Nada disso impede que as mulheres sejam mais escolarizadas atualmente. No entanto, os dados sugerem que estamos desperdiçando talentos femininos, já que a porcentagem de mulheres entre os melhores deveria ser maior.

Isso pode ter a ver com falta de incentivos e reforço de estereótipos, por exemplo. As escolas poderiam contribuir na identificação e correção de possíveis distorções. Os dados sugerem que pouca coisa mudou na última década.

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