Como é a distribuição de cursos de educação profissional técnica de ensino médio no Brasil?

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Uma alternativa que tem sido ventilada tanto para atrair e manter jovens na escola como também para suprir a falta de mão de obra qualificada no mercado de trabalho brasileiro é a ampliação da formação técnica de ensino médio. Este post analisa a distribuição dessas carreiras no Brasil com dados de 2020, os mais recentes disponíveis.

A tabela abaixo foi elaborada a partir de informações do Censo da Educação Básica, coletados antes da pandemia. A tabela mostra a porcentagem de matrículas em cada eixo da classificação de cursos adotada pelo Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Os dados incluem matrículas no ensino integrado, concomitante e subsequente (não inclui Educação de Jovens e Adultos).

No geral, observa-se na coluna 5 que a maior parte das matrículas não se refere a cursos nas áreas associadas à indústria, como poderia se pensar, em princípio. O eixo com maior volume de matrículas é o de ambiente e saúde, onde se destaca o curso de enfermagem, com 26,4% do total. A seguir, está o eixo gestão e negócios (25,1%), que inclui os cursos de administração e contabilidade, por exemplo. Esses dois eixos respondem por mais da metade das matrículas no ensino médio técnico no Brasil.

Por sua vez, os cursos mais comumente associados ao ensino técnico (mecânica, eletrônica e informática, por exemplo) representam apenas 13,7% (controle e processos industriais) e 12% (informação e comunicação) das matrículas, um quarto do total quando somados.

Além disso, nota-se uma grande diferença na distribuição de matrículas por rede. Enquanto a rede privada concentra metade de suas matrículas em ambiente e saúde, a rede estadual possui 38,6% das matrículas em gestão e negócios. Já as matrículas na rede federal estão mais distribuídas entre os eixos, sendo 20,2% em controle e processos industriais. Vale notar que a rede privada responde por 40% (714 mil) do total de matrículas no ensino técnico.

Diante desse cenário, é preciso refletir se estamos no caminho certo. Por que o setor privado possui apenas 4,1% de matrículas em informação e comunicação quando há aparentemente falta de mão de obra nesse setor já há algum tempo? Precisaremos de tantos técnicos administrativos no futuro? Em que medida a demanda por parte dos alunos é baseada na realidade do mercado de trabalho? Essas são apenas algumas questões pertinentes a respeito do futuro do ensino técnico no Brasil.

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