Rendimento de quem faz o Ensino Médio pelo EJA é, em média, maior do que quem só completa o Ensino Fundamental

Entretanto, no caso das mulheres com o Ensino Médio pelo EJA e das mulheres só com o Ensino Fundamental, a diferença de rendimentos é bem menor ao longo da vida e tende a desaparecer por volta dos 53 anos

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EJA

Este é o segundo post da série sobre Educação de Jovens e Adultos (EJA). Nele, comparamos o rendimento habitual de quem se formou no Ensino Médio pelo EJA com quem completou o Ensino Fundamental, mas não o Ensino Médio. A comparação é feita por sexo, para indivíduos entre 30 e 65 anos. O rendimento habitual utilizado é a média dos quatros trimestres da PNAD Contínua de 2020.

Em média, o rendimento mensal habitual, em 2020, das pessoas com EJA foi de R$ 1.792 contra R$ 1.677 de quem tem até o Ensino Fundamental, uma diferença de R$ 115 (ou 6,8%). Ao separar por sexo, vemos que os homens com EJA recebem, em média, R$ 2209 contra R$ 1930 dos homens com Ensino Fundamental, uma diferença de 14% (ou R$ 79).

Para as mulheres, essa diferença é de 4,7% (ou R$ 58), pois as mulheres com EJA recebem, em média, R$ 1288 e as mulheres com Ensino Fundamental, R$ 1230. Assim, além de ter uma chance maior de estar ocupado, quem faz EJA possui um rendimento maior, em média. Porém, essas diferenças podem variar de acordo com a idade.

A figura abaixo exibe como o rendimento se comporta ao longo da vida dos homens e das mulheres com EJA ou Ensino Fundamental. Cada linha indica o rendimento habitual estimado para um certo grupo. As linhas azuis trazem a informação para homens e a vermelhas, para mulheres. A linha sólida indica que homens ou mulheres completaram o EJA; se tracejada, indica que completaram até o Ensino Fundamental. Por exemplo, a linha azul sólida significa homens com EJA e a linha azul tracejada, homens com o Ensino Fundamental.

A diferença de rendimento entre os homens (linhas azuis) em todas as idades é favorável a quem completou EJA. Ela começa com uma diferença média de quase R$ 500, mas vai diminuindo até os 50 anos, pois o rendimento de quem tem o Ensino Fundamental cresce mais até essa idade. Após os 50, a renda de quem tem até o Ensino Fundamental tende a se estabilizar, enquanto a renda de quem fez EJA apresenta um crescimento ainda maior, aumentando a diferença a favor de quem fez Educação de Jovens e Adultos..

Para as mulheres, a diferença de rendimento é bem menor. Quem tem EJA começa ganhando mais, mas, como o crescimento do rendimento das mulheres com Ensino Fundamental é maior, aos 35 anos os rendimentos se igualam. Pouco depois dos 40 anos, o rendimento das mulheres com EJA passa a crescer mais e elas passam a ter um rendimento maior novamente. Porém, aos 50, o rendimento das mulheres com EJA cai, enquanto as que têm Ensino Fundamental continuam com uma leve tendência de aumento. Assim, por volta dos 53 anos, os rendimentos se igualam novamente.

Essas dinâmicas apontam que o diploma de Educação de Jovens e Adultos para as mulheres não apresenta uma relação tão grande de maiores ganhos em nenhuma etapa da vida de trabalho. Já para os homens, o esforço de completar o Ensino Médio após a idade regular, ou seja, com EJA, se mostrou relacionado com maiores rendimentos ao longo da vida, principalmente no início e no final do ciclo de vida do trabalho.

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