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Emprego formal surpreende positivamente em outubro e novembro, mas deve ter forte queda em dezembro

O mercado de trabalho vem apresentando sinais positivos de retomada nos últimos meses. O saldo de emprego formal medido pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) surpreendeu novamente em novembro, alcançando o patamar de 415 mil no mês. Trata-se de um resultado muito superior à mediana dos analistas para o período (300 mil). As projeções da consultoria IDados para o mês eram de 360 mil. Contribuiu para o saldo positivo o forte otimismo com a reabertura da economia do 3º trimestre. Contudo, esperamos uma forte queda de vagas formais em dezembro, em função das sazonalidades de fim de ano e do fim do programa de Benefício Emergencial, conforme ressaltado no post de conjuntura do mês anterior.

Também surpreendeu positivamente a taxa de desemprego medida pela última pesquisa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), que apontou o nível de 14,3% no trimestre móvel encerrado em outubro. Trata-se de uma queda de 0,3 pontos percentuais em relação ao trimestre móvel de setembro (14,7%) – uma surpresa positiva em relação à expectativa mediana dos analistas no mês (14,7%). A pesquisa de outubro também revela uma tendência de gradual retomada dos trabalhadores à força de trabalho, seguindo em linha com a tendência de flexibilização da atividade verificada no 3º trimestre. A taxa de participação de outubro cresceu pelo segundo mês consecutivo, indo de 55,1% para 56,0% entre o trimestre móvel encerrado em setembro e o trimestre móvel encerrado em outubro (Gráfico 1).

Um dos principais fatores que explicam o resultado surpreendente do desemprego em outubro é o fato de que, do total de trabalhadores inativos que regressaram à força de trabalho no período, a maior parte vem sendo alocada para a População Ocupada (PO) e não para o desemprego, como se esperava. No Gráfico 2, podemos notar que o crescimento da PO contribuiu em 2,4 pontos percentuais da variação total de 3,4% da força de trabalho, representada pela População Economicamente Ativa (PEA). Paralelamente, o crescimento da População Desocupada (PD) contribuiu com apenas 1,0 pontos percentuais da variação total da PEA. Os dados demonstram, portanto, que o processo de absorção de trabalhadores da inatividade para o emprego vem ocorrendo de forma mais rápida do que o esperado.

Contudo, é importante ressaltar que a maior parte destes trabalhadores ingressantes na PO foi alocada em empregos de baixa qualidade, representados pela PO informal. A PO informal contribuiu com 2,4 pontos percentuais da variação total de 2,8% da PO. (Gráfico 3). A aceleração da atividade no 3º tri se encontra entre os principais fatores para o crescimento do emprego informal.

Diante destes sinais de maior dinamismo do mercado de trabalho brasileiro, ocasionado pela retomada rápida da PO informal, revisamos nossas projeções de desemprego de final de ano para um viés mais otimista. Esperamos que o desemprego se mantenha relativamente estável em 14,3% até dezembro de 2020, como podemos notar na Tabela 1.

Para o ano de 2021, contudo, esperamos que a forte alta da PO verificada no final de 2020 perca intensidade no 1º trimestre de 2021, em razão de alguns fatores, tais como: i) Fim do BEm em dezembro de 2020, afetando negativamente a PO formal nos primeiros meses de 2021; ii) o fim do auxílio emergencial em dezembro 2020, exercendo impactos negativos sobre o consumo das famílias e a atividade no início de 2021 e iii) aumento de incertezas dos consumidores e empresas, ocasionado pela segunda onda de casos de covid-19 em dezembro e as novas medidas de isolamento adotadas. Esperamos que estas incertezas se mantenham elevadas nos primeiros meses de 2021, em meio a um cenário de ausência de vacinação em massa da população.

Estes fatores somados promoverão a desaceleração da PO no 1º tri de 2021. Combinados com a aceleração do influxo de trabalhadores inativos para a PEA, decorrentes do fim do auxílio emergencial, levarão a um pico do desemprego de 16,4% no 1º trimestre de 2021.

Contudo, a forte retomada de atividade esperada para o restante do ano de 2021 (com crescimento projetado do PIB de 3,5%, segundo a expectativa mediana da Focus), combinada com a melhoria das expectativas dos consumidores e empresas, em meio à disseminação da vacinação ao longo do ano, farão com que o desemprego siga em queda entre o 2º e o 4º tri. Como resultado, esperamos que o desemprego caia para 12,9% em dezembro de 2021.

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