Início Principal Mercado de Trabalho Transferências a famílias devem manter desemprego em queda em 2022

Transferências a famílias devem manter desemprego em queda em 2022

O desemprego deve seguir uma trajetória de queda gradual ao longo de 2022 e cair para até 10,2% no trimestre encerrado em dezembro (Tabela 1). É o que apontam as projeções mais recentes de mercado de trabalho da consultoria IDados, baseadas nos últimos dados de expectativas de atividade divulgadas pelo Boletim Focus e de desemprego divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). 

As novas projeções também apontam que o desemprego deverá cair de forma mais lenta em 2022 (queda de 0,9 pontos percentuais do trimestre encerrado em março ao trimestre encerrado em dezembro) em relação a 2021 (queda de 3,8 pontos percentuais do trimestre encerrado em março ao trimestre encerrado em dezembro). 

Contribuirá para esta trajetória de queda mais gradual no desemprego o crescimento menos intenso do PIB em 2022, esperado pela mediana de projeções Focus em 0,8%. Este crescimento será inferior ao observado em 2021 (4,6%) diante de um cenário mais desafiador de juros e inflação mais elevados. 

Observaremos, portanto, uma trajetória de queda gradual do desemprego em 2022, puxada sobretudo pelo consumo doméstico com o aumento das transferências do governo a famílias, como saques extraordinários do FGTS e Auxílio Brasil. Espera-se que o aumento das transferências mantenha um crescimento de 2,0% em Serviços, setor que mais deve contribuir para o crescimento do PIB em 2022 (Tabela 1). 

Apesar do cenário de crescimento mais fraco esperado para 2022, podemos observar, ao longo do 1º trimestre de 2022, uma contínua revisão positiva dos indicadores de atividade e mercado de trabalho por parte de analistas (Gráfico 1). Estas revisões positivas de atividade têm levado a previsões mais baixas de desemprego médio por analistas para 2022.

CAGED desacelera e desemprego apresenta comportamento atípico

No dia 28 de abril, foram divulgados os dados de emprego formal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que apontam para uma geração líquida de 136 mil vagas em março. Trata-se de uma forte desaceleração em relação ao verificado no mês anterior (328 mil), e o menor valor desde abril de 2021. 

O CAGED deve crescer em ritmo fraco nos próximos meses, diante de um contexto de término do programa do Benefício Emergencial (BEm) e de uma expectativa de crescimento mais reduzido da atividade em 2022 comparativamente a 2021. Com isso, esperamos que o saldo acumulado do CAGED fique em 791.000 no ano de 2022, um resultado inferior aos 2,75 milhões verificados em 2021.

Já no dia 29 de abril, foram divulgados os dados de emprego da PNADC. Os dados apresentaram um resultado surpreendente para o desemprego no trimestre encerrado em março de 2022, indo a 11,1%, contra 11,2% no trimestre encerrado em dezembro de 2021. 

Esta relativa estabilidade no desemprego entre dezembro e março representa um comportamento atípico, uma vez que este período tende a ser marcado por aumentos sazonais de desemprego (Gráfico 2). Quando realizado o ajuste sazonal, este número representa uma queda expressiva do desemprego de 11,7% para 10,9% entre dezembro e março. 

Contudo, esta estabilidade atípica do desemprego, em um período de aumentos sazonais, deve ser observada com cautela, uma vez que reflete um movimento de saída de pessoas da População Economicamente Ativa (PEA) e não de crescimento da População Ocupada (PO). Ao todo, a PO registrou queda de -0,5% entre dezembro e março, enquanto a PEA verificou uma redução de -0,5% no mesmo período.

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