Trabalho por conta-própria bate recorde da série histórica iniciada em 2012

Recuperação econômica de 2021 vem sendo puxada majoritariamente por trabalhos por conta própria e empregos informais.

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Trabalho por conta-própria

A população ocupada por conta-própria atingiu o recorde da série histórica iniciada em 2012, de acordo com os dados do 3º trimestre de 2021 da PNAD-Contínua (Gráfico 1). Segundo o IBGE, 25,5 milhões de trabalhadores estavam ocupados por conta-própria no 3º trimestre de 2021, o que corresponde a 27,4% de todos os ocupados no período. 

Na comparação com os dados do 3º trimestre de 2019, vemos que há mais 1,3 milhões de contas-própria ocupados na economia no 3º trimestre deste ano. Junto com os militares e servidores públicos estatutários, esses são os únicos tipos de ocupação que já superaram o nível da pré-crise da pandemia (3º trimestre de 2019).

Na Tabela 1, temos o nível de ocupação de conta-própria por setor para os anos de 2019, 2020 e 2021 (3º trimestre). Os trabalhadores por conta-própria estão concentrados nos setores de Comércio, Agricultura e Construção. Juntos, esses setores concentram mais de 50% dos trabalhadores por conta-própria do país. 

A pandemia do Covid-19 reduziu as ocupações por conta-própria em praticamente todos os setores da economia entre 2019 e 2020. A exceção foram os trabalhos na Agricultura e nos Serviços Modernos (aumentos de 0,4% em ambos). Contudo, a retomada em 2021 já ajudou a recuperar as perdas sofridas em 2020 e quase todos os setores já estão com ocupação por conta-própria em patamar superior ao de 2019 (crescimento total de 5,2%).

Se separarmos este efeito por contribuição relativa de cada setor, vemos que o crescimento é puxado principalmente por Comércio (20,2%), Construção (15,7%), Serviços Modernos (11,2%) e Agricultura (10,8%). Importante também citar o setor de Alojamento e Alimentação que, embora só represente 7,3% dos trabalhos conta-própria, contribuiu com quase 10% de crescimento encontrado entre 2021 e 2020. Esses setores foram alguns dos mais afetados pela pandemia, sendo condizente que a retomada passe por um aumento de ocupações neles.

Esses dados também corroboram a análise de que a recuperação econômica de 2021 vem sendo puxada majoritariamente por trabalhos por conta própria e empregos informais (vide post). Contudo, os trabalhos por conta-própria têm características bastante distintas dos empregos informais sem carteira assinada. No geral, trabalhadores por conta-própria tendem a ter maiores rendimentos e escolaridade do que a média dos trabalhadores informais. Eles também costumam ser mais velhos. 

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