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Distribuição de renda dos trabalhadores do setor público com carteira fica menos desigual, mas disparidades continuam

Em um post anterior (aqui), falamos sobre a evolução desigual, em quase uma década, dos salários do setor público comparativamente aos do setor privado. Naquela ocasião, constatamos que os salários do setor público têm crescido de forma mais acelerada que os salários do setor privado. Justamente por isso, resolvemos olhar, neste post, apenas para os trabalhadores do setor público com carteira assinada, atentando aos seguintes recortes: a distribuição entre entes federativos, a cor de pele e a escolaridade.

Na tabela 1, olhamos para a renda média total, em valores reais, do setor público com carteira assinada, e também para o recorte por ente federativo. A tabela mostra que, no 4º trimestre de 2012, trabalhadores com carteira do governo federal ganhavam quase o dobro da média de todos os trabalhadores com carteira do setor público. Mais precisamente, naquele trimestre, o salário médio mensal do trabalhador com carteira do governo federal era de R$ 6.917,00, e o de todos os trabalhadores do setor público com carteira estava em R$ 3.437,00.

A tabela 1 mostra, ainda, que a renda dos trabalhadores do setor público na esfera municipal foi a que mais cresceu no período (4º trimestre de 2012 a 4º trimestre de 2020) em termos percentuais (26,8%). Isso contribuiu para aproximar o valor dos salários médios dos trabalhadores do setor público das três esferas, embora a diferença entre eles permaneça considerável (R$ 7.707 a média do servidor público federal com carteira assinada no 4º trimestre de 2020; R$ 3.714 do servidor público estadual; e R$ 2.512 do servidor público municipal).

Na tabela 2, analisamos o recorte por cor de pele. A referida tabela mostra que brancos ganhavam, no 4º trimestre de 2012, bem mais do que os negros e as demais cores de pele. No 4º trimestre de 2020, brancos seguiram liderando em termos renda, quando comparados com negros e demais grupos raciais. Porém é possível perceber algum avanço em termos de convergência na distribuição da renda entre os diferentes grupos. Isso porque, entre 2012 e 2020, a renda do grupo que tinha renda mais baixa, o dos negros, foi a que apresentou maior crescimento. No período em questão a renda dos negros cresceu 26,5%, enquanto a dos brancos aumentou 14,5% e a das demais cores de pele caiu 2,5%.

Por fim, na tabela 3, observamos recortes entre três grupos de escolaridade: (i) aqueles que têm o Ensino Médio (EM) incompleto ou menos; (ii) aqueles que têm o EM completo ou Ensino Superior (ES) incompleto; e (iii) aqueles que têm o ES completo ou mais. Este último, apesar de possuir a maior nível de renda, foi o que menos viu seu salário crescer no período. Na verdade, em termos reais, perdeu 1,4% da renda. Já o grupo que recebia menos, o daqueles com EM incompleto ou menos, foi o que viu sua renda crescer mais no período (+12,0%).

No geral, observamos uma convergência na distribuição da renda do setor público com carteira assinada. Os salários reais de servidores municipais, negros e com menor nível de escolaridade, ou seja, aqueles que ganhavam menos, foram, de fato, os que mais cresceram entre 2012 e 2020, para o setor público com carteira assinada. Apesar dos avanços, os dados apresentados mostram que as disparidades continuam bastante visíveis.

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