Número de brasileiros com idades entre 6 e 14 anos fora da escola aumentou de cerca de 82 mil, em 2019, antes da pandemia, para cerca de 285 mil em 2021

Porcentagem de crianças e adolescentes fora da escola era de apenas 0,3% em 2019. Contudo, nos dois últimos anos, esse número aumentou para 0,6% em 2020 e 1,1% em 2021.

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A pandemia de Covid-19 trouxe novos desafios para a educação brasileira. Utilizando dados da PNAD Contínua, este post apresenta a variação da frequência escolar dos brasileiros entre 6 e 14 anos por UF – Unidade da Federação, comparando a taxa de estudantes nessa faixa etária fora da escola no ano de 2019 (antes da pandemia) com o recém-concluído ano de 2021 (durante a pandemia).

Sabe-se que, para essa faixa etária, muito se avançou em termos de cobertura escolar ao longo das últimas décadas. A porcentagem de crianças e adolescentes fora da escola era de apenas 0,3% em 2019. Contudo, nos dois últimos anos, esse número aumentou para 0,6% em 2020 e 1,1% em 2021. Em números absolutos, isso representa um aumento de cerca de 82 mil estudantes para 285 mil em dois anos.

A Figura 1 apresenta essa variação para as 27 unidades da federação, mostrando que há diferenças importantes. Com exceção do Tocantins, a taxa de crianças e jovens de 6 a 14 anos não matriculados na escola teve aumento entre 2019 e 2021 em todos os estados. A maior variação absoluta se deu em Roraima, que saltou de 0,9% para 5,5% – em números absolutos, isso representa cerca de 4 mil crianças a mais fora da escola. O Acre, que tinha o maior percentual de alunos nessa situação em 2019 (1,2%), viu esse valor se elevar para 3,1%, sendo a segunda maior variação absoluta dessa taxa.

No outro extremo da lista, após o Tocantins, o estado que teve a menor mudança na situação escolar de seus jovens nesse período foi o Maranhão, cuja variação absoluta foi de 0,1 ponto percentual. Há, ainda, casos em que a variação absoluta da taxa não foi uma das maiores do país, mas ainda assim refletiu uma sensível piora no quadro local, como é o caso de São Paulo, cuja taxa variou 0,5 ponto percentual, o que representou um aumento de 584% na população de jovens fora da escola entre 2019 e 2021.

Um aspecto importante dos números é que há estados das cinco regiões brasileiras tanto entre os 10 estados que tiveram pioras mais acentuadas do indicador quanto entre os 10 que tiveram os menores retrocessos. Ou seja, a variação de crianças e adolescentes fora da escola não parece guardar forte correlação com questões regionais. Há estados com situação socioeconômica parecida, cujas frequências escolares variaram de forma distinta.

Figura 1 – Variação absoluta da taxa de jovens de 6 a 14 anos fora da escola entre 2019 e 2021 (%)

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