Por que o número estimado de beneficiários do auxílio emergencial do Governo Federal está aumentando tanto?

As simulações permitem observar quantas pessoas passariam a ser elegíveis para o programa em cada um dos diferentes cenários de queda de renda. No cenário que assume uma queda de 50% na renda dos informais, o número estimado de beneficiários do programa de auxílio emergencial do governo chegaria a quase 62 milhões.

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Esse post discute as estimativas do Governo Federal para o número de beneficiários do programa de auxílio emergencial lançado recentemente. O programa consiste de uma medida de ajuda financeira aos mais sensíveis à crise causada pela pandemia da COVID-19 (para maiores informações ver aqui). Em um primeiro momento, o número de beneficiários estimado pelo Governo Federal foi de 54 milhões de pessoas.

No entanto, é possível que os cálculos acima estejam subestimados, particularmente no que tange ao potencial de beneficiários informais. Isso porque, à medida em que estamos falando de trabalhadores informais, é razoável pensar em pelo menos dois problemas que o Governo Federal não parece ter levado em consideração nos seus cálculos originais: (i) a renda deste grupo pode cair substancialmente em decorrência da crise econômica causada pela COVID-19 e (ii) devido ao caráter autodeclarado da renda desses indivíduos, existe uma impossibilidade técnica de verificação dos valores informados.

Para analisar os dois problemas levantados, refizemos as estimativas do Governo Federal com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) de 2018, que contém informações sobre outros rendimentos.

No primeiro número a esquerda do gráfico é apresentada a nossa estimativa que procura replicar exatamente o número originalmente calculado pelo governo (para maiores informações sobre essa estimativa ver aqui). Neste caso, estimamos um total de aproximadamente 56 milhões de beneficiários para o auxílio emergencial, número que é muito semelhante aos 54 milhões calculados pelo Governo Federal.

Na medida em que caminhamos para a direta no gráfico, simulamos diferentes cenários de queda na renda dos informais (de 10% a 50%). A ideia é que essas reduções no rendimento dos informais podem efetivamente ocorrer por conta da crise econômica causada pelo novo coronavírus.

Desta maneira, nossas simulações permitem observar quantas pessoas passariam a ser elegíveis para o programa em cada um dos diferentes cenários de queda de renda. No cenário que assume uma queda de 50% na renda dos informais, o número estimado de beneficiários do programa de auxílio emergencial do governo chegaria a quase 62 milhões.

A última coluna capta o pior cenário, ou seja, quando todos os informais reportam renda zero para, assim, conseguir acesso ao programa de auxílio emergencial do Governo Federal. Este é o pior cenário porque, como o governo não consegue verificar a veracidade dos valores reportados pelos trabalhadores informais, acaba tendo que conceder o benefício para todos. Chama atenção que, neste caso limítrofe, atingimos, talvez não surpreendentemente, um valor mais parecido com a última estimativa feita pelo governo, que está em 70 milhões de beneficiários. Sendo que nosso número chega, nesse pior cenário, a 65 milhões de beneficiários.

 

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