Resultados da pesquisa “Transição da Escola para o Trabalho” são apresentados em webinário apoiado pela CNC

Experiência de trabalho reduz o tempo em que o jovem passa não-ocupado e na informalidade. Dados também indicam que jovens com curso técnico fazem uma transição mais fácil para o mercado de trabalho.

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chefiada por mulheres

A consultoria IDados apresentou, em webinar na manhã desta quinta-feira, 25/06, os primeiros resultados da pesquisa “Transição da Escola para o Trabalho”, realizada com 3,5 mil jovens. O evento foi aberto por José Roberto Tadros, Presidente da CNC; por Paulo Rocha e Oliveira, Diretor-Presidente da IDados; e pelo Deputado Gastão Vieira. Já a mediação ficou a cargo de Hugo Passarelli, repórter do jornal Valor Econômico, que hoje publicou uma matéria sobre o estudo.

Bruno Ottoni, pesquisador-líder da área de mercado de trabalho da consultoria IDados, conduziu a apresentação dos resultados da pesquisa que trouxe dados inéditos e exclusivos focados nas respostas às seguintes perguntas: quais as principais dificuldades na transição do jovem para o emprego? Como a educação pode facilitar a inserção e a adequação do jovem ao mercado de trabalho? Como reter o jovem no emprego? O que muda no cenário da covid-19?

Na sequência, houve um debate sobre as implicações para a formação de jovens e o mercado de trabalho com representantes do SESC e SENAC.

Quais são as principais dificuldades?

Em sua apresentação, o pesquisador Bruno Ottoni mostrou que a experiência de trabalho reduz o tempo em que o jovem passa não-ocupado e na informalidade. Ou seja, quanto mais experiência, menor o risco de ficar desempregado e na informalidade. Mostrou também que a rotatividade no emprego é alta nos primeiros anos de trabalho, mas cai ao longo dos anos de experiência. Porém, a experiência ajuda pouco os jovens cujo primeiro emprego é informal. Também perdem empregabilidade os jovens que trocam muito de emprego no início da carreira.

A educação pode ajudar?

Os dados também indicam que jovens com curso técnico fazem uma transição mais fácil para o mercado de trabalho, e também passam menos tempo na informalidade do que os que concluíram o ensino médio regular. Além disso, os formados nas chamadas ciências sociais aplicadas e na área de saúde (exemplos: economistas, contadores, advogados, médicos, enfermeiras etc.) costumam transitar mais facilmente para o mercado de trabalho, e também passam menos tempo na informalidade do que os jovens que tiveram outras formações.

Como reter o jovem no emprego

A pesquisa revela que mais de 70% dos jovens estão satisfeitos no emprego. Essa satisfação pode estar relacionada, como apontam as evidências, ao recebimento de benefícios, incluindo os não obrigatórios. Um ponto importante é que jovens satisfeitos se sentem mais à vontade no ambiente de trabalho e relatam ter mais flexibilidade (de horário, por exemplo).

O que muda no cenário da covid-19?

Jovens que passam por um período longo de desemprego apresentam uma situação mais desfavorável de inserção no mercado de trabalho. Vários indicadores mostram que, com a pandemia atual, teremos milhões de jovens desempregados que podem levar um longo tempo até conseguir um novo emprego. A pesquisa também demonstra que os jovens que abandonam os estudos enfrentam maiores dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. Será que teremos um número expressivo de jovens no país que, por causa da pandemia, abandonarão os estudos?

Implicações

O Diretor-Presidente da consultoria IDados, Paulo Oliveira, em suas considerações, disse que o evento de hoje foca um aspecto que talvez seja o mais importante do ponto de vista de política e de estratégia governamental e empresarial: o que estamos fazendo para maximizar o capital humano representado pelos quase dois milhões de jovens que ingressam anualmente no mercado de trabalho brasileiro?

“Esta questão é ainda mais relevante hoje, em tempos de covid-19: nossas políticas de primeiro emprego e de transição da educação para o mercado de trabalho irão contribuir para aumentar ou para reduzir as oportunidades de trabalho para os jovens?”, indaga.

O presidente da IDados chamou a atenção para dois pontos particularmente importantes mostrados pela pesquisa: primeiro, há uma rota de sucesso, ainda que restrita. Essa rota está associada a um primeiro emprego formal e de preferência duradouro. Segundo, a oferta de trabalho existente para a maioria da população valoriza as competências tipicamente associadas ao ensino médio técnico.

“O estudo reforça a necessidade de aprimorar as políticas relacionadas ao primeiro emprego. O jovem que sai da escola, trabalha no setor formal e permanece por mais tempo nele tem maior condição de sucesso e, assim, oferece maior retorno ao investimento. Há nos dados apresentados indicações claras para aprimorar políticas de primeiro emprego. E isso parece mais crucial num momento de elevadíssimas taxas de desemprego”, disse.

Segundo Paulo Oliveira, o estudo indica claramente os fatores que contribuem para os jovens empregados permanecerem no setor formal. E confirma o que já se sabe: o mercado para os mais jovens privilegia uma formação mais próxima ao que se oferece nas escolas médias de ensino técnico profissional.

“A pesquisa que apresentamos hoje oferece importantes informações para as pessoas responsáveis pelo destino dos jovens do nosso país. E aponta para políticas que, se adotadas, poderiam maximizar o valor de nosso estoque de capital humano e, mais do que tudo, dar uma esperança e uma chance de futuro para a juventude”, conclui o presidente da IDados.

O Deputado Gastão Vieira, por sua vez, disse que levaria à Câmara a análise de que o ensino médio técnico é importante e faz diferença. “Infelizmente, continuamos sem uma oferta adequada desse tipo de ensino no Brasil. E estamos completando quase dois anos e meio sem dar continuidade à discussão sobre a reforma do ensino médio”, disse.

Para ele, basta mirar os exemplos de países que estão dando certo na área de educação, e, que, em geral, são países que valorizam o ensino técnico. “O Brasil não gosta de se basear em evidências. Como vamos enfrentar esse mundo pós-pandemia altamente digitalizado? Como melhorar a nossa produtividade nesse contexto?”, perguntou.

José Roberto Tadros, Presidente da CNC, destacou a alta taxa de desemprego no país, agravada por uma nova crise, e o déficit de mão de obra qualificada, um problema estrutural. “Deve-se reconhecer a importância do Sistema S, que oferece cursos capazes de promover uma inserção mais rápida dos jovens no mercado de trabalho”, frisou.

Download da pesquisa

O relatório completo com os primeiros resultados da pesquisa “Transição da Escola para o Trabalho” já está disponível no site da consultoria IDados aqui.

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